sábado, 5 de julho de 2014

Resenha da Antologia "Super-Heróis"

Capa da Antologia
Este ano a  Editora Draco lançou uma coletânea de contos intitulada "Super-Heróis", ao qual eu tive a honra de participar.

  A antologia reúne contos de quatorze autores, com a temática dos heróis de quadrinhos, desde que os mesmos tivesse uma característica lusófona: os contos e seus heróis deveriam ser brasileiros ou portugueses, ter uma ambientação "abrasileirada", vamos por assim dizer. Não é a primeira vez que os quadrinhos atingem outro nicho - o cinema está aí pra provar. O mais recente é a republicação da série Cartas Selvagens, de George R.R. Martin, aquele mesmo de Guerra dos Tronos.
Você deve achar estranho que um dos autores esteja fazendo a resenha de um livro ao qual participa mas, assim como todas as antologias da editora, não tive acesso a nenhum conto antes da publicação do livro, portanto o faço como mero leitor. Nem todos os contos me agradaram, mas alguns, com certeza, chamaram bastante a atenção e você vai notar que a antologia merece a leitura.
  Um ponto interessante desta edição são os desenhos introdutórios antes de cada conto, representando o herói que irá aparecer. Todos em preto e branco, foram feitos e pintados à mão por Angelo de Cápua e são um show à parte.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Eu vi: Capitão América 2 - Soldado Invernal

Poster do filme
  Estreou no dia 10 de abril mais um blockbuster da Marvel Studios, Capitão América 2 - O Soldado Invernal. Este filme é, na opinião deste que vos escreve, o melhor filme da Marvel lançado até então. A película nos mostra que o termo "filme de super-herói" não é só um gênero em si. É também uma roupagem no qual outros gêneros se cobrem, para contar uma boa história capaz de ser identificada por todos. Portanto, posso dizer que o filme do Capitão América é um thriller político de ação e não apenas um "Filme de Super-Herói".
  Fato é que tanto o Capitão América quanto o Soldado Invernal são apenas emblemas dos joguetes realizados pela SHIELD e pela HIDRA, respectivamente. O filme mostra um panorama bem típico da sociedade americana, que prefere substituir a liberdade pela segurança, e consequentemente a confiança pelo medo. Fato contestado pelo Capitão América, brilhantemente interpretado por Chris Evans, muito mais denso e incorporado no papel que em filmes anteriores.

quarta-feira, 26 de março de 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Eu vi: A Vida Secreta de Walter Mitty


"Para ver coisas a milhares de quilômetros.
Coisas escondidas atrás de muros e dentro de quartos.
Coisas perigosas que vem para nos aproximarmos,
para vermos e sermos surpreendidos.
Esse é o propósito da VIDA".

- Life Magazine

  A Vida Secreta de Walter Mitty é uma adaptação de um conto de mesmo nome, de autoria de James Thurber. É uma história bastante conhecida nos EUA e já foi adaptada para o cinema em 1947 (aqui no Brasil chamou-se "O Homem de Oito Vidas"). O filme, na época, desagradou o autor por ter sofrido muitas mudanças e ficado bem distante da obra original.
  Essa versão também é bem diferente do conto original (que se passa, basicamente, dentro de uma casa). O filme modernizou a história e a trouxe para a época atual. Walter Mitty, interpretado por Ben Stiller (que também dirige o filme) é o gerente do departamento de negativos da Life Magazine. Ele é recluso e tem o hábito de sonhar acordado, literalmente se desligando da realidade. Embora não dito explicitamente, Walter tem um trauma devido a morte inesperada de seu pai na adolescência, que o obrigou a mudar de vida muito rápido, drasticamente e para sempre.
Não tem foto de mulher pelada?
  Life Magazine está encerrando suas publicações impressas para trabalhar apenas com conteúdo on-line, por isso a empresa começa a ser reestruturada. Curiosamente, na vida real aconteceu o mesmo: em 2000 a Life Magazine deixou de ser impressa como revista e se tornou encarte fotográfico de jornais para, em 2009, tornar-se exclusivamente on-line. No filme, os editores vão publicar a última edição da revista e, como opção para a última capa recebem um rolo de filmes de Sean O'Connel, o melhor fotografo da revista. Sean (interpretado por Sean Penn) recomenda que usem a foto 25, definida por ele mesmo como "quintessência da vida". Walter é encarregado do rolo do negativo, mas o negativo 25 está desaparecido. E é assim que começa o filme.
  A Vida Secreta de Walter Mitty foi uma grande surpresa. Ele é um filme clichê do começo ao fim e que transmite uma mensagem já transmitida por outros filmes (Alguem falou "Show de Truman"?). Mas ele é levemente diferente. Primeiro, a fotografia é sensacional. As tomadas externas foram filmadas na Groelandia, e são incríveis. As transições de Walter da realidade para o sonho e de volta à realidade são tão sutis e tão definidas ao mesmo tempo que não cansa e agrega muito ao filme.
  A trilha sonora é outra parte simplesmente fantástica. Qualquer filme cujo tema pode se basear em Space Oddity já tem o meu respeito. A cena onde essa música se desenvolve (com Kristen Wiig) é um dos pontos de viradas mais bem feitos que eu já em um filme.


  O filme é amarradinho, mas é lento. Principalmente na parte final, onde o filme te leva em várias voltas pra te deixar no mesmo lugar. Achei que esse pedaço poderia ser ao menos encurtado. Mas a mensagem é passada. Saia e venha viver sua vida. Adorei a frase do fotográfo quando ele diz "Às vezes prefiro não registrar o momento. Em certas circunstâncias eu prefiro apenas ficar aqui e fazer parte dele". Também achei que poderia dar mais ênfase ao nuclo familiar dele (a mãe de Walter é interpretada por Shirley McLane), já que foi um fato decisivo na vida do personagem.
  Eu adorei o filme. Poderia ser melhor? Sim, poderia. Mas mesmo assim é divertido, tem uma lição, belas paisagens e ótimos efeitos. Mostra também que, apesar de não se sentir a vontade como ator dramático, Ben Stiller se vira muito bem atrás das câmeras. Foi lançado entre o Natal e o Ano Novo, uma época em que as pessoas refletem sobre o que fizeram e o que pretendem fazer com suas vidas. Aí, neste caso, é uma ótima pedida.

Confira o trailer do filme:

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dexter: Já foi tarde?

  No dia sete de dezembro, eu tive o prazer (ou seria o desprazer) de terminar a última e derradeira temporada de Dexter. E confesso que não gostei nem um pouco. Se você ainda não sabe do que eu estou falando, Dexter é um seriado sobre o serial-killer Dexter Morgan, interpretado pelo ator brilhante Michael C. Hall, que também trabalha no departamento forense da Polícia de Miami, divisão de homicídios. Sua marca registrada é perseguir e eliminar outros assassinos e guardar uma gota de seu sangue em uma placa de Petri, que ficam escondidas atrás do ar condicionado de sua casa. Ele faz isso ao mesmo tempo em que evita ser pego pelos amigos de departamento, inclusive pela própria irmã, a detetive Debra Morgan.
  A série baseia-se no livro "Darkly Dreaming Dexter", de Jeff Lindsay, publicado no Brasil como "Dexter - A Mão Esquerda de Deus". Apenas a primeira temporada usa a história do livro, depois a série seguiu seu próprio caminho. Venceu inúmeros prêmios, como Melhor Ator e Melhor Personagem para Michael C. Hall em 2006; Melhor Programa de Televisão em 2007 e Melhor Série Dramática em 2008. E esses são apenas os principais prêmios recebidos. A série foi premiada durante muito tempo, mesmo nas temporadas ruins.
  Mas se a série começou tão bem, como pôde despencar tanto em qualidade? É o que pretendo analisar naquilo que eu chamo de Três Fases de Dexter. Importante: se você não viu a série, haverá spoilers.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Quem se lembra de David Foenkinos?

Capa do livro de David Foenkinos
"(...) compreendi também que não tinha de me sentir culpado por estar feliz."
- David Foenkinos

  Sinopse (contracapa): O escritor David Foenkinos já não tinha ideia alguma para um romance. A cada manhã, sua imaginação parecia definhar um pouco mais. Os dias se uniam agora uns aos outros em ritmo lento, e a página diante dele seguia em branco. Mas nada estava definitivamente perdido. Em breve, ele tinha certeza, uma fabulosa ideia de romance lhe surgiria no espírito. Quase nunca as coisas acontecem como gostaríamos, no entanto. David Foenkinos se verá envolvido numa trama cujos fios são o amor e a arte.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Pagando por Sexo" - de Chester Brown

Capa da graphic novel
em sua edição em português
  "Chester Brown não é deste planeta.", diz a introdução de Robert Crumb nesta incrível graphic novel. E talvez não seja mesmo. No entanto, é um homem de coragem e muito bem convicto de suas opiniões. E não são opiniões vazias: são informações originadas em leituras inteligentes e baseadas na sua vida real.

  Pagando por Sexo é uma graphic novel que relata a vida do autor e seus relacionamentos com prostitutas até o final de 2003. Mais de que uma simples história, o livro traz relatos honestos sobre o envolvimento de Chester Brown com o sexo pago. Tudo começa quando o ele termina seu namoro. A partir daí, Chester passa a acreditar que o "amor romântico", como ele mesmo define, não existe. Passa então a utilizar-se do sexo pago, obtendo nele não só o prazer do ato, como também companhia afetiva com vários tipos de mulheres.

 
Os desenhos são simplistas, em preto e branco. E talvez por isso funcione tão bem. Logo no prefácio, Chester deixa claro que não exibiria o rosto ou detalhes que identificassem as protitutas (todas são retratadas como morenas, embora o autor afirme que algumas delas eram loiras, por exemplo). Não é uma história pornográfica, uma vez que este não é o objetivo do autor, mas eu não deixaria o livro cair nas mãos de uma criança, pois existem muitas cenas de sexo e alguns palavrões.

  No final do livro há vários apêndices onde o autor esmiuça cada aspecto da prostituição, expondo seus argumentos de forma ainda mais clara. Embora não concorde com alguns deles (como por exemplo, a opinião dele em dizer que o casamento é uma instituição maléfica), é possível ver na obra todo um debate saudável acerca do assunto. E ainda há notas, que explicam alguns quadrinhos onde a opinião de alguns personagens presentes é importante.

  Pagando por Sexo é uma graphic novel excelente. Mesmo que você não concorde com as opiniões de Chester, o livro agrega bastante conteúdo, seja artístico ou político. É uma diversão garantida, daquelas que vão fazer você refletir bastante. Sozinho ou acompanhado.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Eu vi: Homem de Ferro 3



  No dia 26 de abril lá foi eu com minha esposa e meu irmão no shopping JK curtir em formato IMAX 3D o filme do Homem de Ferro 3. Confesso que fui com o pé bem lá atrás, primeiro por que tinha visto várias críticas ruins na internet.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Resenha dupla: Joe Hill

Foto roubada da wikipédia
  O nome é Joe Hillstrom King, mas você pode chamá-lo de Joe Hill apenas, por que é assim que ele escolheu assinar os livros. O motivo? Ocultar o fato de que é filho de Stephen King e parecer que seus livros tenham sido publicados por favoritismo. Bom, talvez até tenham, mas eu duvido. Joe Hill tem um talento para a escrita assim como o pai e isso não precisa de favores.
  Joe Hill escreveu três livros de 2007 à 2010: "A Estrada da Noite" (The Heart-Shaped Box) em 2007, "Fantasmas do Século XX" (20th Century Ghosts) em 2008 e, por fim, "O Pacto" (The Horns) em 2010. O objetivo desta resenha é falar de dois deles, "A Estrada da Noite" e "O Pacto". Infelizmente eu não tive a oportunidade de ler "Fantasmas...".


domingo, 23 de setembro de 2012

Eu vi: "Intocáveis"

Cartaz do filme

  Como agora eu tenho acesso um pouco mais fácil ao Cine Livraria Cultura, consigo ver alguns filmes mais diferentes dos que são exibidos no circuito convencional. Essa semana foi a vez de "Intocáveis" (Intochables), comédia baseada na vida real. A direção e texto são de Eric Toledano e Oliver Nakache.
  Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Philippe (François Cluzet), um homem rico que fica tetraplégico após um acidente. Philippe  tem um jeito de ser uma pessoa reclusa e conformada. Seu dinheiro lhe permite viver bem, apesar desta condição que o deixa totalmente dependente de outras pessoas. Precisando de uma pessoa que cuide dele (um enfermeiro pessoal), Phillipe abre uma vaga de emprego. Um dos candidatos é Driss (Omar Sy), um negro alto e de comportamento bem duvidoso. Seu propósito em estar na fila de candidatos é conseguir uma assinatura num documento que lhe permite continuar recebendo seu seguro-desemprego.
  Logo nos primeiros momentos do filme os personagens são escancarados para o público, sem que isso exiba os mistérios do filme. Não dá pra saber como a película acaba, pois as reviravoltas são muitas, embora bastante sutis. Os meios de vida dos dois personagens são totalmente distintos, mas acabam-se mesclando no decorrer da história.
  O filme é engraçado. Talvez por isso sua classificação seja Comédia e não Drama. Ri-se muito, do começo ao fim do filme, com piadas inteligentes e sem apelação. Até mesmo as piadas sobre a deficiência de Phillipe não chegam a soar preconceituosas em nenhum momento. Aliás, o próprio Phillipe ri delas quando Driss as conta.
  Tenho um certo preconceito contra a língua francesa. Acho pedante, arrogante e nem um pouco graciosa. Mas o filme flui de uma maneira que, até mesmo eu pude ignorar este meu lado ruim quanto ao idioma de Napoleão. Por que o filme é tão bom que isto se torna um mero detalhe. Se ele fosse falado em húngaro, por exemplo, não faria a menor diferença na qualidade.
  Para ajudar, o filme representará a França na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2013. Desculpe-me o cinema nacional, mas já sei pra quem eu vou torcer.